"Um futuro melhor para a política dependerá provavelmente de uma transformação profunda na educação"
A demcoracia não é algo binário, mas passível de gradações - há democracias melhores e piores. A brasileira é dita deficiente por instituições e especalistas globais.
A avaliação da qualidade de um regime através das diferentes dimensões democráticas permite entender como a corrupção política afeta a qualidade da democracia brasileira.
A avaliação da qualidade de um regime através das diferentes dimensões democráticas permite entender como a corrupção política afeta a qualidade da democracia brasileira.
O primado da lei, por exemplo – como a corrupção é um crime que acontece nas altas esferas do poder, ela arrasta o Judiciário para a cumplicidade, corrompendo-o para fujir da punição. A corrupção política também aprofunda as desigualdades sociais, ao desviar para empresários e políticos ganhadores de esquemas corruptos dinheiro público que deveria chegar às camadas mais pobres da população na saúde, educação, transporte, infraestrutura.
A desconfiança leva ao desinteresse e à queda da participação política. Com a danosa percepção de que todo político é corrupto, fica impossível puni-los nas urnas, por falta de alternativas viáveis. Pelos altos custos de campanha e o poder do marketing político, a competição fica distorcida a favor dos corruptos, que se perpetuam no poder alimentados pelos corruptores através de doações via Caixa 2, fora de controle no Brasil.
Mesmo as eleições brasileiras sendo boas –voto secreto, liberdade para votar e concorrer, contagem relativamente confiável, resultados oficiais aceitos – o processo eleitoral brasileiro tem um viés anti-democrático, por não depurar a classe política e porque a pressão por gastos milionários de campanha atua como incentivo e/ou justificativa à prática da corrupção pelos políticos. As eleições, disfarçadas de grande festa da democracia, servem para dar legitimidade a uma classe política que se diz amparada pelo voto popular, mas que trabalha contra a demcoracia, privilegiando os interesses dos seus patrões, financiadores de campanha, e reduzindo a responsividade do governos à preferência da maioria dos cidadãos.
Um futuro melhor para a política dependerá provavelmente de uma transformação profunda na educação – tornando os cidadãos mais críticos, capazes de diferenciar e julgar e menos suscetíveis ao efeito do dinheiro. Enquanto isso, precisamos de mudanças institucionais que reduzam o peso do dinheiro nas eleições, de um controle mais rígido da Justiça Eleitoral sobre o Caixa 2 de campanha e por fim, de que apareçam lideranças políticas que adotem estratégias anti corrupção, atuem na vigilância, sem telhado de vidro, e se apresetem como alternativas viáveis.
Joel Formiga é cientista político com mestrado pela USP, especialista em corrupção.http://www.joelfromiga.com.br








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